quarta-feira, 6 de novembro de 2013

LUANA: A HISTÓRIA DE UM PROJETO PIONEIRO

A primeira heroína negra dos quadrinhos brasileiros luta há mais de uma década, para que nossas crianças sintam orgulho de sua cor, de sua origem e de seu país 


SURGE UMA IDEIA
Quando Aroldo Macedo, criador da revista RAÇA, recebeu o desenhista Arthur Garcia em sua sala, não poderia imaginar o que surgiria a partir dali. Discutindo sobre o mercado de quadrinhos e uma proposta de publicar HQs nas páginas da revista, vem a ideia:
— E se criássemos uma menina negra?— sugere Aroldo.
Nascia ali, uma heroína, com a difícil missão de elevar a auto-estima das crianças negras de todo o Brasil.

"No processo de construção da personalidade humana,
o papel das referências é fundamental.
Quem não se vê não tem como se reconhecer.
Quem não se reconhece não tem como se identificar.

Essa personagem é Luana, tem oito anos, é capoeirista e mora em Cafindé, vila fictícia remascente de um quilombo.  Sua turma de amigos é miscigenada, demonstrando claramente a intenção de não ser um projeto direcionado só às crianças negras, mas sim à todo o publico infantil. O diferencial é que a protagonista é negra. Além de seu irmão Zeca, Luana tem como companheiros de aventuras, Luisinho, também negro, o neto de japonês Fugiro, o ruivo Pipoquinha, a morena clara Rebeca e o cachorro Sultão. E como não poderia faltar, tem Fumaça Mortal, um vilão capaz de tudo para destruir o meio ambiente e acabar com o mundo.

Arthur Garcia, um dos maiores desenhistas brasileiros, ganhador de prêmios no Brasil e no exterior, tratou de passar tudo para o papel, criando o visual de todos os personagens.

Para criar as histórias, Aroldo convidou o escritor e jornalista Oswaldo Faustino, um especialista em cultura afro-brasileira, e que deu o toque lúdico às histórias da personagem: um berimbau mágico, que funciona mais ou menos como o pó de pirlimpimpim do Sítio. Toda vez que Luana está em dificuldades ou deseja viajar no tempo e no espaço, ela o toca, sendo então transportada para lugares inimagináveis.



Capa do livro LUANA - A MENINA QUE VIU O BRASIL NENÉM, de Aroldo Macedo e Oswaldo Faustino. Ilustrações de Arthur Garcia. Editora FTD, 2000.

O PRIMEIRO PASSO

Formada a trinca de autores, saiu o primeiro fruto do projeto: o livro LUANA-A MENINA QUE VIU O BRASIL NENÉM. Lançado em março de 2000 durante a Bienal do Livro, a publicação apresenta a primeira viagem de Luana através de seu berimbau mágico. Voltando no tempo, ela chega exatamente na hora em que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil.

A obra tornou-se um sucesso rapidamente, sendo adotada em várias escolas e motivou a pequena equipe a dar um passo ainda maior. Luana precisava fazer parte do universo de personagens infantis, tornar-se uma referência, um espelho em que a criança negra pudesse se ver, se sentir representada.

"Qualitativamente, os personagens eram quase sempre estereotipados e
ocupavam papéis de pouco destaque. Quantitativamente, sempre foram muito poucos", diz Nobu Chinen, historiador e pesquisador, autor da tese de doutorado O papel do negro e o negro no papel: representação e representatividade dos afrodescendentes nos quadrinhos brasileiros (ECA-USP).

Folheto promocional distribuído durante a Bienal do Livro de 2000, anunciando o lançamento do gibi. Desenhos de Arthur Garcia.

Alguns podem apontar como sendo Pelezinho, o primeiro protagonista negro das hqs. Porém, a figura do personagem estava calcada no sucesso do atleta e jogador de futebol. Fato semelhante aconteceu na TV, quando tivemos a primeira protagonista negra em uma novela. Taís Araújo em Da Cor do pecado (Globo, 2004). Muitos disseram que ela mesma já teria sido protagonista anos antes com Xica da Silva (Manchete, 1996). Porém, ali era contada a história da escrava que viveu no século XVII, em Diamantina. Obviamente não poderia ser interpretada por uma atriz branca. Tais Araújo na novela (com a personagem de nome Preta) e a menina Luana nas HQs, tem como semelhanças, serem protagonistas por si só. Sem representarem nenhuma figura conhecida, da história ou dos esportes. São elas mesmas. Sem levantar bandeiras.

Capa do primeiro número do gibi. Ilustração de Anaise Valente

Em junho do mesmo ano, chega às bancas o primeiro número da revista LUANA E SUA TURMA.
 Para bancar tal empreitada, Aroldo investiu cerca de R$ 400 mil, deixou o cargo de editor-chefe da RAÇA, e abriu a empresa TRONICS, voltada para este e outros projetos. Em um belo sobrado da Alameda Jaú em São Paulo, montou escritório e um estúdio para produzir a revista. O projeto completo incluía além da publicação, o lançamento de uma coleção de livros infantis, merchandising, um CD e desenhos animados para televisão.

Com tiragem de 30 mil exemplares, a revista de 32 páginas conta com duas HQs, passatempos, cartas dos leitores e a seção “Causos da Vovó Josefa”, em que a avó da Luana conta histórias e lendas sobre o continente africano na forma de contos ilustrados.

Luana virou matéria de capa do Caderno DOIS do Correio Brasiliense

O consagrado escritor Julio Emílio Braz, se juntou a Oswaldo Faustino e Aroldo Macedo na criação dos roteiros. Arthur Garcia, Mingo de Souza, Mig (da equipe do Ziraldo) e Sérgio Morettini, nos desenhos. Silvio Spotti e Alex Silva na arte-final. Capa da ilustradora Anaise Valente. Lilian Mitsunaga fez a arte do título da revista. E eu, Alexandre Silva, fui encarregado de colorizar todas as histórias e também de diagramar e letreirar toda a edição.

Um excepcional projeto de divulgação foi colocado em prática, que incluía folhetos, matérias em jornais e revistas, entrevistas no rádio e na TV, e até anúncios em ônibus (na época era permitido).

Matéria do jornalista Camilo Vannuchi publicada na revista ISTOÉ, nº 1612. 23/08/2000

 O número dois, contou com o apoio da Editora FTD na impressão e teve modificações na equipe, que ficou mais enxuta. Arthur Garcia, supervisor e editor de arte da revista, se desliga do projeto. Entra para a equipe Dejair da Mata, profissional com passagem pelos estúdios MSP e Senninha.
Mingo de Souza, assina contrato com Ely Barbosa (1939-2007) e também deixa a equipe. Mesmo assim, é dele a hq principal da edição, uma história de 14 páginas em que Luana enfrenta uma invasão de hackers em seu site, comandada pelo vilão Fumaça Mortal.  
Miguel Mendes Reis (Mig) fica com a seção“Causos da vovó Josefa”, produzida no seu estúdio, no Rio de Janeiro. Na arte final entra Nelson Mendonça.

Mãe! Eu sou parecida com a Luana! - exclama uma menina ao ver o gibi.

Página do número 2 da revista LUANA E SUA TURMA. Desenhos de Mingo de Souza

E SURGEM OS PROBLEMAS....COMUNS, EM SE TRATANDO DE HQ NACIONAL
A revista sofreu para se destacar nas bancas, seu único canal de vendas. A distribuidora era nova no ramo, e não atingia todo o território brasileiro. Além do mais, a revista era uma publicação independente. Não tinha a força e o apoio de uma grande editora. Uma tentativa de solucionar o problema, foi a troca de distribuidora a partir do número 3, quando a Fernando Chinaglia assumiu esse trabalho. Porém nessa época, para baixar os custos de produção a tiragem já era menor, o que fez com que os problemas em bancas continuassem.

Lançada com periodicidade mensal, a revista só conseguia chegar às bancas a cada três meses, agravando ainda mais a situação. Sem condições de prosseguir, Aroldo Macedo interrompeu a produção da revista, após o lançamento da edição 6 (setembro de 2001). O mercado em bancas nessa época, já não era dos melhores, e os projetos para a TV e produtos, caminhavam a passos lentos. Mesmo assim, considera-se um feito e tanto uma publicação independente alcançar essa marca, com alto custo gráfico e de distribuição e enfrentando títulos fortes nas bancas.


Educadoras de uma creche em São Paulo, montam uma peça infantil baseada na HQ "A BOLHA", publicada no número 2 da revista.


ENFIM, A LEI
O projeto ficou parado por dois anos. Até que em 2003, é promulgada a Lei 10.639, que torna obrigatório o ensino sobre a história e cultura afro-brasileira nas escolas de ensino fundamental e médio.

O Projeto LUANA é retomado, com nova perspectiva. Os seis números da revista retornam ao mercado, com vendas dessa vez apenas pela internet e dirigidas somente a escolas, bibliotecas e Secretarias de Cultura. Também foram criadas oficinas para a capacitação do ensino multicultural, ministradas pela equipe técnica do projeto, sob coordenação de Aroldo Macedo.

Capas da segunda fase da revista, com vendas apenas pela internet.

LUANA volta com força total. A produção da revista é retomada a partir da edição 7. São lançadas seis novas edições simultaneamente.

Em fevereiro de 2004, a Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, adquiriu 142.000 revistas em quadrinhos da LUANA, para serem distribuídas nas escolas. Devido ao sucesso, as primeiras edições da revista tiveram de ser reimpressas e um novo livro foi lançado, LUANA E AS SEMENTES DE ZUMBI.


   
Produzida de forma independente, a obra de autoria de Aroldo Macedo e Oswaldo Faustino, conta com ilustrações de Mingo de Souza (que retornara ao projeto) e com minha edição de arte. No livro, Luana viaja no tempo e retorna a Palmares, encontrando-se com o líder Zumbi.

Em outubro de 2005, a Secretaria Municipal de Educação de Salvador, adquiriu 30.000 exemplares do gibi e montou um kit para distribuição entre os alunos da rede pública. Além dos gibis, também fez parte do kit, o novo livro. Foi realizado também o seminário ESQUECERAM DE MIM, para cerca de 200 educadores, com a missão de prepará-los para aplicar o material em sala de aula. Aliás, Salvador foi a primeira capital do país a implantar o ensino da cultura afro na rede pública.

 Alunos de escola pública de Niterói, participando de atividade em sala de aula,
com os gibis da LUANA.

No mesmo ano, Niterói, no estado do Rio, também adota os gibis e os livros para seus alunos.
O Projeto LUANA torna-se referência no ensino e difusão da cultura negra para crianças.
Em 2006, o projeto acaba sendo indicado ao 18º TROFÉU HQ MIX, na  categoria de melhor revista e publicação infantil. Tudo isso chamou a atenção da Editora FTD, que acenou com uma proposta para criar uma coleção de livros da personagem, a partir do primeiro lançado em 2000.



O COMEÇO DE UM GRANDE SUCESSO
A editora comprou então os direitos de publicação do SEMENTES DE ZUMBI e o relançou em 2007, junto a reedição do primeiro. Com novas capas e acompanhados de um suplemento de trabalho, os títulos compunham a coleção AVENTURAS DE LUANA, apresentada ao público na Bienal do Livro e no Salão do Livro para crianças e jovens, ambos realizados no Rio de Janeiro.

 Coleção AVENTURAS DE LUANA, Editora FTD

Também em 2007, é lançado CAPOEIRA E LIBERDADE, terceiro título da Coleção, este com produção da FTD e ilustrações de Miguel Mendes Reis (Mig). Nele, Luana volta no tempo para resgatar um velho berimbau perdido e aprende ainda mais sobre a cultura de seu povo.

Nesse mesmo ano, a produção dos gibis é retomada, com mais seis números de histórias inéditas. O escritor Julio Emílio Braz retorna ao projeto, adaptando contos para a seção “Causos da Vovó Josefa”, com ilustracões de Anaise Valente

Com a série de gibis alcançando a marca de 18 edições publicadas, o projeto é adotado pelas cidades de Osasco, Araraquara e Olímpia em São Paulo e Contagem em Minas Gerais.
Em 2010, mais um livro é lançado pela FTD: ASAS DA LIBERDADE, com ilustrações de Mig. Nele, Luana viaja no tempo e acompanha o sofrimento de seus antepassados africanos e luta ao lado de José do Patrocínio pela libertação dos escravos.

 Capas da terceira fase da revista, lancada em 2008. Números 13 a 15.

Ilustração extraída do livro A RODA QUE ILUMINA O MUNDO.
Desenhos de Mingo de Souza. Cores de Alexandre Silva.

E O PROJETO CONTINUA...
Ainda em 2010, três novos títulos são produzidos de forma independente.


Um misto de histórias em quadrinhos e livro infantil. Assim é "A RODA QUE ILUMINA O MUNDO". O livro apresenta uma novidade: dessa vez, Luana viaja para o futuro, atendendo a um pedido de Leonardo da Vinci, para salvar uma cidade prestes a ser destruída. A obra tem a colaboração de dois excelentes artistas: José Wilson Magalhães, arte-finalista com passagens por títulos como Superman e Wolwerine, na arte-final e Fernando Ventura, desenhista e roteirista especializado em quadrinhos Disney, trabalhando comigo na colorização das ilustrações.

 Luana viaja no tempo com seu berimbau mágico e chega a Tecnópolis, no ano de 2519.
Extraído do livro inédito "LUANA E A RODA QUE ILUMINA O MUNDO".
Desenhos de Mingo de Souza. Cores de Alexandre Silva.

O livro HISTÓRIAS DA VOVÓ JOSEFA, é uma reunião dos melhores contos publicados no gibi. Já  TURMA DA LUANA, é uma reedição de algumas HQs, incluindo uma aventura inédita, no formato de álbum para livraria. Todos os três títulos estão inéditos.

Em breve, a revistinha da LUANA também será republicada. Serão oito edições, com as melhores histórias da série.

 Luana faz parte da exposição "O NEGRO NOS QUADRINHOS" em comemoração ao mês da consciência negra. Em cartaz na GIBITECA HENFIL. Centro Cultural São Paulo. 
De 22 de outubro a 15 de dezembro de 2013. Grátis.

Com os quatro livros da FTD adotados por escolas do Brasil inteiro, e a volta das revistinhas, Luana torna-se cada vez mais atuante na educação de nossas crianças,  ensinando a cultura africana, discutindo e trabalhando o racismo na sua origem e transformando-se em espelho e referência para muitas crianças.

E assim o projeto está aí, a mais de uma década. Com muita luta, enfrentando percalços, Luana continua sua caminhada.
Mas como menina negra, guerreira, esperta e capoeirista que é, com certeza vai passar pelas dificuldades com mais confiança, pois não está sozinha.

Junto a ela estão milhares de Luanas...Zecas...meninos e meninas por todo o Brasil, que querem ser respeitados e se orgulhar de sua origem...de seu passado...para assim então, poder construir o futuro...com raça e dignidade.
De cabeça erguida.



Para conhecer a coleção AVENTURAS DE LUANA, acesse:
http://www.ftd.com.br/detalhes/?id=3118

Para comprar os quadrinhos da LUANA:
aroldomacedo@uol.com.br
alexand0901@yahoo.com.br

BIBLIOGRAFIA E AGRADECIMENTOS:
Nobu Chinem
http://papodemacumba.blogspot.com.br/2010/12/por-que-os-herois-nunca-sao-negros.html
cadernodeeducacao.com.br/news/um-mestre-dos-quadrinhos

terça-feira, 22 de outubro de 2013

NEW YORK COMIC CON 2013

 por Nilton Sperb
 
Mesmo em sua infância, já que voltou à cidade há apenas sete anos (2006), a New York Comic Con se equipara aos maiores eventos de quadrinhos do resto dos Estados Unidos. Na verdade, o maior centro de convenções de Nova York (Javits Center) está se tornando pequeno para tal acúmulo de atrações. Há tanta coisa pra se ver que os agora quatro dias (estendidos dos iniciais três, em 2010) são bem curtos (e passam bem rápido).





É humanamente impossível acompanhar todos os tipos de entretenimento (e ainda visitar o andar do show room com freqüência) sem perder algo importante... das tradicionais novidades que fogem dos quadrinhos, passando aos vídeo games, filmes e seriados de TV, e exploram qualquer outra mídia que envolve imagens impressas ou projetadas.

Portanto, é nos painéis e eventos especiais que se concentra o melhor divertimento. Entre a apresentação das novidades pelos artistas, a sessão de perguntas e respostas, e até as sinceras (e por que não, singelas) declaraçōes de fatos curiosos e pitorescos sobre o dia-a-dia no trabalho da várias áreas, dá pra ter um gostinho saboroso do universo por trás dos bastidores da produção imagética dos quadrinhos afora.




Nada melhor, então, do que dar um pequeno mergulho por estes superconcorridos e selecionados eventos, nesta imensidão de oportunidades, que forma o oceano da programação dos eventos da NYCC 2013.



MARVEL: Amazing X-Men & The Marvel Universe

“Nunca imaginei que um painel começando tão cedo (11 da manhã da sexta-feira) iria atrair tanto interesse”, declarou Peter David. Por outro lado, há tantos gibis e variações de grupos baseado nos X-Men... (Inacreditável que 90 por cento da população de mutantes perdeu seus poderes alguns anos atrás), que fica difícil de distinguir entre os Amazing, New & Smashing X-Men e aqueles de que participa (ou não) Wolverine. Porém, diante da presença do grande público no início de mais um dia da Convenção, não há como negar o apelo que existe no material.




No meio do enorme lote, entretanto,  um título se destaca, e só poderia ser do veterano roteirista. Peter David retorna ao Universo X pra escrever uma nova série chamada “X-Force” com um conceito bastante inovador: “Como os super-heróis se comportariam se fizessem parte de um conglomerado corporativo”. Daí o título Corporate.





Na sua longa série X-Factor, lançada originalmente nos anos 80 e, após um hiato na virada do século, retornar com força total em 2007, o escritor da velha guarda já tinha revirado o conceito de mutantes de pernas pro ar, introduzindo citações filosóficas com inúmera pitadas de humor. O que ele nos reserva desta vez, em um título que desde já promete muito, nem o Sombra sabe!

Justice League: War




 Batman tem uma nova voz nesse primeiro longa-metragem animado completamente baseado nos conceitos da linha DC - Os Novos 52. Jason O’Mara (dos seriados americanos “Life on Mars” e “Terra Nova”) traz um tom mais suave ao Homem-Morcego, em comparação com o sombrio (e tradicional) Kevin Conroy e o rouco Christian Bale dos filmes do cinema.

Uma coisa é certa, desta vez Jason vai contar com maior longevidade no emprego. Ao contrário dos dois seriados de TV mencionados acima, que foram cancelados ao final da primeira temporada, já estão programados pelo menos dois outros longas com ele como a voz do Cavaleiro das Trevas.








Segundo Andrea Romano, veterana diretora de vozes dos desenhos animados, apesar de um começo um pouco turbulento nos ensaios, o ator conseguiu sem muita dificuldade emprestar o seu charme a Bruce Wayne. Jason é irlandês e teve que trabalhar um pouco no seu sotaque. Isso no entanto não criou problema nenhum à diretora, que é acostumada no dia-a-dia com esse tipo de coisa. (Seu marido é brasileiro.)
A apresentação abriu com a introdução da versão especial do longa (em duas partes) de “The Dark Knight Returns”, longas baseados na marcante serie de Frank Miller. O DVD set inclui uma entrevista especial com o autor. 


Bate-Papo com a Marvel

Quase ao final dessa apresentação fomos agraciados com uma grata surpresa: a aparição de George A. Romero, o criador de zombies, director de “Night of the Living Dead” (“A Noite dos Mortos-Vivos”). A presença deste inovador de filmes de terror se deve ao fato de que ele, mais uma vez, é o autor de uma história originalíssima da nova série de quadrinhos Marvel misturando zombies e vampiros, “Empire of the Dead” (com impressionante arte de Alex Maleev). 

video




O conceito narra a batalha entre esses dois mais famosos tipos de mortos-vivos pela conquista e domínio de nós, pobres mortais ainda vivos. Do alto de seus setenta e tantos anos, George A. Romero é um senhor simpático que respondeu com bom humor e disposição a todas as perguntas dos fãs presentes, contando histórias curiosas e anedótas sobre o desafio que foi produzir o primeiro trabalho original de onde surgiu o fenômeno que hoje toma conta de todas as mídias (dos vários filmes-sequências aos quadrinhos e seriado de televisão).



 
Nota: Com toda a deferência ao saudoso Paulo Francis, grande crítico das artes na Globo durante os anos 80, procuramos não tentar traduzir literalmente os títulos originais das obras e painéis relacionados nesta materia, sob o risco de não acertar a adaptação que será usada no Brasil.



 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

"O ANJO CAÍDO " E A VOLTA DE ROGÉRIO SOUD ÀS HQS



O quarto volume da Coleção HQ SARAIVA nos apresenta uma releitura de quatro contos clássicos da literatura universal, tendo como tema a figura mítica do Diabo. Cada conto traz uma atmosfera diferente, uma interpretação diferente para o demo. Seria fácil de imaginar quatro artistas distintos para cada um deles. Porém, ao se deparar com um único nome na capa, que aliás não só os ilustrou como também os adaptou, o leitor deverá ficar curioso ao saber mais sobre um cara que agora assina simplesmente SOUD.
Nome pequeno, para a sua grandiosidade como pessoa e como artista.


Ele já foi Rogério de Jesus.
Era assim que o jovem desenhista carioca começava a assinar seus primeiros trabalhos na área das histórias em quadrinhos. Indicado por seu amigo, o também carioca Fernando Bonini, iniciou sua carreira na revista MORANGUINHO, uma das muitas licenças que a Editora Abril detinha e que lhe permitia produzir suas histórias por aqui.
Em 1988, quando decidiu trocar o Rio por São Paulo, passou a colaborar com o estúdio START de Walbercy Camargo, como cleanup (limpar desenhos). Mas os quadrinhos eram a sua paixão e logo Primaggio Mantovi, na época diretor da redação de quadrinhos da Abril, acenou com um contrato fixo para participar de um novo lançamento da casa.


Páginas de HQs desenhadas por Rogério Soud, para as revistas OS TRAPALHÕES e
AS AVENTURAS DOS TRAPALHÕES - Abril Jovem



O título em questão era OS TRAPALHÕES, em uma nova versão onde os humoristas de sucesso da TV eram retratados como crianças. O gibi fez enorme sucesso, chegando a alcançar a marca de 76 edições, lançadas entre 1988 e 1993.
Já demonstrando sua versatilidade, Rogério desenhou inúmeras hqs, não só dos TRAPALHÕES, como também de SÉRGIO MALANDRO, ZÉ CARIOCA e PATO DONALD. Recebeu o Prêmio Abril de Jornalismo nas categorias Destaque e Melhor Desenho.

Com o declínio do mercado de HQs ocorrido a partir de 1995 e já assinando como Rogério Soud, decidiu partir para a ilustração de livros, seguindo um caminho já escolhido por outros artistas da área, como Rodval Matias, Mozart Couto e Carlos Avalone.


Página desenhada por Soud para a revista Sérgio Mallandro - 1990 - Abril Jovem


 Capa de A SOBRINHA E O POETA de Stella Maris Rezende - Editora Globo


Ilustração para livro didático

A partir daí foram muitas obras ilustradas, entre livros didáticos e infantis. Misturando técnicas, pesquisando e se aprimorando, ele surpreendia a cada trabalho, apresentando sempre um novo olhar, uma nova interpretação para cada obra.
Foi indicado ao NAACP (National Association for the Advancement of Colored People) pelas ilustrações do livro Say a Little Prayer, escrito pela cantora americana Dionne Warwick. Ganhou assim o selo Gold Medal recipient for Mom's Choice Awards.

 SAY A LITTLE PRAYER, livro infantil de autoria da grande cantora americana
Dionne Warwick, com ilustrações de SOUD



Dionne Warwick, interpretando a canção-título do livro




O encontro de Dionne Warwick com Rogerio Soud, em São Paulo, 2009.



DA COSTA DO OURO, de Raimundo Matos de Leão - Coleção Jabuti - Editora Saraiva


Ilustração feita para a obra CANGAÇO de Julio Emílio Braz e
Wanderley Loconte - Editora Saraiva



Com ilustrações de Rogério Soud, a ROCCO lançou
O LEÃO DE TANTO URRAR DESANIMOU, de Paulo Valente

De tanto traduzir visualmente inúmeras obras de vários escritores, arriscou-se a interpretar uma música através de seus traços.
Assim surgiu O VÔO DA ASA BRANCA (Prumo, 2012), seu primeiro livro como autor.
A obra apresenta o clássico de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, gravada pela primeira vez em 1947, traduzida em belíssimas ilustrações e sem texto. O prefácio é de Rolando Boldrin.
Com esse trabalho muda pela terceira vez sua assinatura, passando a ser apenas SOUD.



Capa e ilustrações internas de O VÔO DA ASA BRANCA - Editora PRUMO


A música do livro....na voz do Rei do Baião


Em 2013 acontece a sua volta às origens, à sua paixão de garoto, que são as HQs!
Em O ANJO CAÍDO, Soud mergulha na Europa Medieval e nos apresenta a difícil situação de seus habitantes, que em sua maioria, viviam na  pobreza em condições precárias. Com isso, a figura do Diabo aparece, propondo sempre um pacto em troca de uma vida melhor. Esse é o mote dos quatro contos que permeiam a obra.

Para traduzir isso em imagens, Soud pesquisou uma paleta de cores em que predominam o amarelo e o marrom, combinando com um traço forte e consistente. Para cada conto, uma interpretação diferente da figura do tinhoso, que já aparece na abertura de cada um deles, em imagens aterrorizantes.


Página da obra O ANJO CAÍDO - Coleção HQ SARAIVA

Isso é mais uma mostra da versatilidade do artista, que também imprimiu um clima diferente para cada história, através de técnicas elaboradas na tela do computador. Sim, todos os desenhos foram feitos e coloridos digitalmente.
O resultado é impactante e nos apresenta a maturidade do artista em um de seus melhores trabalhos.

Tive o enorme prazer de assinar o texto de quarta capa deste belo trabalho, que  representa a volta de SOUD à sua paixão, que são as HQs.  

Página da obra O ANJO CAÍDO - Coleção HQ SARAIVA


Curioso? O álbum já está nas livrarias.
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/5000121

Curioso também é observar que à medida em que foi simplificando sua assinatura,
esse cara foi crescendo cada vez mais como artista.

SOUD. Guarde bem esse nome, pois muita coisa boa vem por aí.

Lançamento de O VÔO DA ASA BRANCA, na Livraria da Vila.

Quer conhecer mais sobre seu trabalho?
Acesse:  
http://www.rogeriosoud.com.br/